Ensaio Aberto ” PRÁTICAS DE AUTOFAGIA”

Linguagem: Dança 

Público alvo: pessoas interessadas em dança e performance 

Resumo: Apresento a performance “Corpo-Autofágico” , estruturada a partir de uma Residência no centro coreográfico, onde ocorre uma investigação teórico-prática que tensiona os limites do corpo, do espaço institucional e das dinâmicas de consumo compulsório. A performance afasta-se das convenções representacionais da cena clássica para converter o corpo da performer no próprio campo de batalha da ação. Afetando diretamente as noções de ordem biológica, psicossomática e espacial, a obra opera sob a luz do “aqui e agora” . Entendemos o espaço expositivo não como um receptáculo neutro, mas como uma zona de copresença onde as vivências da performer e a recepção do público colidem em um jogo erótico de beleza autodestrutiva.O distanciamento estético tradicional é suspenso, convocando uma copresença inevitável que reativa memórias, traumas e pulsões coletivas. A Autofagia Estética acontece, Através do esgotamento físico, o corpo produz o esgotamento para vibrar em pura intensidade .O consumo do “eu” biográfico e a exaustão da matéria permitem a emergência de uma nova presença poética e política no espaço.Desta forma, acontece o jogo Erótico e a transfiguração dos objetos em cena: O trabalho utiliza o manejo e a metamorfose simbólica de um chicote. O objeto flutua entre o desejo (língua/falo), a selvageria (cauda) e o poder (instrumento de dominação), tensionando os polos do afeto, da invasão e da frustração. Outro viés, ocorre através, da crítica ao cubo branco, onde a performer usa de um pequeno pedestal — símbolo histórico de museificação — , e utiliza as premissas do espaço contra si mesmas. Ao suar, exaurir-se e colapsar sobre a estrutura rígida, a ação sabota a assepsia institucional – fraturando o silêncio reverencial da instituição. 

Ficha Técnica: Vitória jovem & Gabe Arnaudin  

Histórico da cia: O encontro entre Vitória Jovem e Gabe Arnaudin se inscreve em uma trajetória compartilhada no interior da comunidade Ballroom, espaço cultural e político historicamente criado por pessoas pretas e trans, onde práticas artísticas, modos de existência e estratégias de resistência se entrelaçam. Foi nesse território da cena underground que ambas se conheceram e passaram a construir suas trajetórias enquanto artistas. A Ballroom, além de um espaço de sociabilidade, constitui também um campo fértil de experimentação estética, no qual corpo, performance e presença operam como linguagens centrais. É nesse ambiente que emerge o encontro entre duas potências criativas que, a partir de suas experiências individuais e coletivas, passam a desenvolver diálogos no campo da performance e das artes visuais. Vitória Jovem já possui uma trajetória consolidada como artista visual e performer, desenvolvendo pesquisas que atravessam práticas experimentais da liberdade, investigações corporais e processos de desvio das normatividades. Sua produção articula o corpo como dispositivo perturbador, poético e político, criando obras que tensionam fronteiras entre arte, limites corporais, presença e experiência. Gabe Arnaudin, por sua vez, vem construindo seu processo de desenvolvimento artístico nesses mesmos campos, expandindo sua investigação entre performance e artes visuais a partir de experimentações que dialogam com a cultura Ballroom, com práticas corporais e com processos de criação no campo da performance. A aproximação entre as duas artistas se desdobra na construção de um espaço de pesquisa e criação compartilhada, no qual suas trajetórias se encontram para desenvolver práticas experimentais da liberdade e metodologias colaborativas. Apartir desse encontro, a companhia se configura como um território de investigação artística onde experiência, corpo e comunidade se tornam matéria fundamental para a produção de novas linguagens e processos de criação. 

Na fase de pré-produção, será estruturado o conceito do ensaio crítico de Autofagia, bem como a organização do encontro artístico entre Vitória Jovem e Gabe Arnaudin. Nesse momento serão definidos o espaço de realização, os procedimentos de trabalho, a preparação do material performativo e a articulação com possíveis observadores críticos, além da organização da comunicação e do convite ao público interessado em acompanhar o processo. A etapa de realização, consistirá em um encontro aberto que permitirá ao público acompanhar de perto um dia de trabalho entre as artistas, incluindo momentos de experimentação prática da metodologia de autofagia, testes de material cênico e performativo e uma conversa ao final do processo, na qual serão compartilhadas reflexões, impressões e questões emergentes da criação. Por fim, a fase de pós-produção envolverá a organização e sistematização dos registros realizados durante o encontro, como fotografias, vídeos e anotações críticas, além da elaboração crítica e reflexiva sobre a experiência, contribuindo para a documentação do processo criativo e para a difusão das investigações artísticas desenvolvidas. 

Serviço:

Data: 11/08/2023 

Horário: 19h 

Classificação: 18 anos 

Duração: 3h 

Programação Presencial

programação Gratuita

Link para ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/124276

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