Ensaio Aberto “Miúda” – Tamires Costa

Linguagem: Dança

Público alvo: TODOS

Resumo: O projeto “Miúda” visa realizar a criação de uma peça de dança a ser apresentada no Teatro Firjan SESI Jacarepaguá e Teatro da Futuros Arte e Tecnologia, contribuindo assim para a ampliação das linguagens e estética da dança no estado do Rio de Janeiro. O projeto foi contemplado pelo Edital de Cultura da FIRJAN Mosaico Rio e para realização das apresentações estamos buscando espaços parceiro para acolher os ensaios desta produção que partirá de investigações acerca das múltiplas sabedorias encarnadas nas manifestações de matrizes ancestrais das danças da diáspora, na simbologia e os arquétipos das entidades afro-indígenas e seus desdobramentos em danças da contemporaneidade. Além disso, desejamos desenvolver um estudo sobre a miçanga, um material ligado à proteção, conexão e poder espiritual, visando produzir materiais cênicos e estudos coreográficos.

Apresentação do projeto:

Um antigo ponto de Umbanda que saúda a linha de Boiadeiros nos diz: “Uma é maior, outra é menor, a miúda é quem nos alumeia/ Pedrinha miudinha de Aruanda ê”. Criada no Brasil, a Umbanda é uma religião que reúne diferentes práticas incorporadas de tradições africanas, indígenas e católicas. Além disso, os pontos cantados são formas de preservar saberes, chamar espíritos, se despedir, homenagear entidades, entre outros. O trecho citado é de um ponto chamado “Pedrinha Miudinha” e nos fala do brilho das coisas pequenas que podem concentrar mistérios e poderes profundos. 

“Pedrinha Miudinha” tem nos ajudado a refletir sobre a importância cultural dos artefatos em miçanga e a produção artística com esses pequenos objetos, que evidenciam a cultura e a identidade étnica de um povo. Para a elaboração deste projeto, temos nos perguntado o que essas “pedrinhas” têm para nos dizer? Quais vidas podemos dançar através dessas presenças?

E que práticas seriam necessárias para criar no corpo caminhos possíveis diante de um mundo condicionado à grandeza e que subestima a força que habita no miúdo?

As miçangas possuem narrativas que fazem parte de vasto acervo de conhecimentos afro-ameríndios e desejamos contribuir, sob o ponto de vista da arte e da poética, com o fortalecimento dos saberes e das culturas que os constituem. A partir disso, desejamos trabalhar a relação entre o corpo que dança e o corpo de miçangas que são os objetos cênicos que compõem a criação, sua presença simbólica do Outro, que dança junto, seus transbordamentos, sobreposições e deslocamentos geradores de sentido. Nosso interesse parte das visualidades promovidas por esse encontro, provocando imagens significativas e suas implicações estéticas.

Ademais, nos perguntamos quais linguagens da dança são capazes de ampliar os imaginários do mundo que PEDRINHA MIUDINHA deseja inaugurar? Tais questões nos levam a iniciar nossas investigações pelas corporeidades encarnadas em esquemas corporais do “Miudinho do Samba” e o Passinho do Funk Carioca, evocando as relações de intimidade e beleza contidas nessas manifestações. As linguagens citadas mantêm vivas tradições cujos os conhecimentos são salvaguardados através da oralidade e do movimento e nessa perspectiva, poder se lembrar, ressignificar histórias, imaginá-las e dança-las criam zonas de vitalidade e de prosperidade.

Desta forma, “Pedrinha Miudinha” tem nos motivado a refletir sobre a potência e beleza das miudezas, por isso evocamos as miçangas num encontro encruzilhado as corporeidades encantadas presentes nas matrizes culturais afro-ameríndias, as quais irão atravessar este projeto que almeja a criação de um trabalho cênico que evoque o brilho e a força da espiritualidade em encontros, gestos e danças.

“Passava os dias ali, quieto, no meio das coisas miúdas. E me encantei” (Manoel de Barros)

Ficha Técnica:

Tamires Costa – Concepção, direção, performance e preparação corporal: Formada pelo Curso Técnico em Dança da FAETEC e cursando Licenciatura em Dança na UFRJ. Colaborou com Marcela Levi e Lucia Russo – RJ e com Vera Passos – BA. Atualmente trabalha com Alice Ripoll, nas cias REC e SUAVE. A artista assina concepção e direção do espetáculo BALANÇO que estreiou no Festival O Corpo Negro em 2024.

Pablo Carvalho – Músico e performance: Performer, músico percussionista, produtor cultural e arte-educador, tendo formação musical talhada nos ritmos populares das rodas, sambas, afoxés e jongos, misturada com a experimentação musical e pesquisa em música popular. Atualmente trabalha como músico percussionista com a Cia de Aruanda, Ana Frango Elétrico, Alulu, Dossel entre outros.

Kirce Lima – Direção de Produção: Gestora da eLabore.Kom, produtora especializada em elaboração, gestão e direção de produção de projetos, como foco em produções pretas e periféricas. Empreendedora, agente e produtora cultural, com formação em Produção de Eventos e MBA em Gestão Empresarial.

Jorge Oliveira – Iluminador: Designer de Luz e técnico de iluminação cênica pela FUNARJ.

Entre seus trabalhos destaca-se Designer de Luz dos espetáculos “Você quer falar sobre isso?”, espetáculo “Balanço”, da Performance “Danças Marciais da Afrodiáspora na criação

cênica”.

Leticia Almeida – Dramaturgia: Formada pelo Curso Técnico em Dança da rede FAETEC de ensino. Cursou Licenciatura em Dança na UFBA. Integrou a Companhia de Atores Bailarinos Adolpho Bloch. Colaborou com o diretor João Ceia no espetáculo A Origem do Fogo.

Histórico da cia: Formada pelo Curso Técnico em Dança da rede FAETEC de ensino e cursando Licenciatura em Dança na UFRJ. Desde 2017, desenvolve uma pesquisa que se intitula Corpo Tambor que abraça danças da diáspora africana, em diálogo aos princípios do Treinamento Psicofísico da Ator (Grotowski). Tamires colaborou como performer e co-criadora com as artistas Marcela Levi e Lucia Russo, na Improvável Produções (entre 2015 e 2022), ademais, através deste, performou o solo DEIXA ARDER no qual esteve em cartaz nos principais festivais de dança e performance da Europa e em circulação por teatros do Brasil e América Latina. A artista também colaborou com Vera Passos na Bahia (2023). Além disso, Tamires compõe o elenco das companhias REC e SUAVE, que desenvolvem pesquisas através do Passinho Foda, de danças contemporânes e urbanas. As companhias têm realizado turnês pelo Brasil, América do Norte, Reino Unido, Europa e Ásia. A artista assina concepção e direção do espetáculo de dança BALANÇO que teve sua estreia no SESC Copacabana, através do Edital Sesc RJ Pulsar – O Corpo Negro em 2024.

Serviço: 

Data: 13/08/2025

Horário: 19:00

Classificação: 14 anos

Duração: 1h

Informações:

Parceria:

Público esperado: 70 pessoas

programação Presencial

Programação Gratuita

Link para ingressos: https://ingressosriocultura.com.br/riocultura/events/47174?sessionView=LIST

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