
A ocupação traz um diálogo sobre práticas afrocentradas e o lugar do corpo negro na sociedade. Ao longo da ocupação o público terá contato com essas temáticas a partir de diversas linguagens, como: filmes, performances, oficinas e exposições artísticas.
Linguagem: Dança
Público alvo: Pesquisadores e estudantes das artes do corpo, amantes de arte e cultura e comunidade do entorno
Ficha Técnica:
Direção geral: Luís Silva Criação e interpretação: Luís Silva e Pedro Avlis Colaboração de pesquisa: Rafaella Olivieri Criação musical: Luís Silva Direção de voz: Erivan Borges Texto/poema: Jackeline Sarah Desenho de luz: Gil Santos e Luís Silva Fotografia: Rafaella Olivieri Videografia: Mare Braga e Rafaella Olivieri Apoio de pesquisa: Coletivo NUDAFRO Produção: Coletivando Art
Histórico da cia: O Coletivo NUDAFRO é formado por artistas e pesquisadores da UFRJ e parceiros de outros projetos e simpatizantes, originou-se do projeto Memória Corporal da Cultura Afro-Brasileira ativo de 2003 a 2007. Na encruzilhada de múltiplos saberes e experiências pesquisamos, refletimos e disseminamos práticas e pensamentos de dança contemporânea afroreferenciadas, com enfoque nos estudos da performance, práticas performativas afro-urbana-ancestral, corporeidade negra e elaboração cênica.
Cronograma:
Sexta (11/11/22)
15h30 às 17h Oficina: Escritas do Tempo e Expressividade Cênica (Loft) Facilitador: Maria Alice Motta Lotação: 20 pessoas
Resumo: Essa oficina tem como proposta as intrincadas relações entre tempo e gesto expressivo. O tempo é “(..) local de inscrição de um conhecimento que grafa no gesto, no movimento, na coreografia, na superfície da pele, assim como nos ritmos e timbres da vocalidade (…)” (MARTINS, 2021, p.22). Levados por essa premissa e utilizando como metodologia ferramentas imagéticas e simbólicas (Tarô), conceitos e práxis de Dança e Mundo que agregam afrorreferências (cosmovisão, tempo espiralar, etc.) e a Teoria Fundamentos da Dança (MOTTA, 2006), pretendemos vivenciar as tensões e dilatações entre Tempo, simbolismos e o corpo expressivo.
17h30min Abrindo os Caminhos….(Loft) Ojú Odé com Tatiana Damasceno e Luís Silva Ajeum e bate papo
18h Lançamento de livro Denise Mancebo Zenicola (Loft) Performance e Ritual: a dança das Iabás no xirê Máscaras Decoloniais: dança e performance
19h Performances Teatro Angel Vianna NUDAFRO (Núcleo de Pesquisa em Dança e Cultura Afro-Brasileira/UFRJ)
1 Gira, Ialodê!
Criação e interpretação: Ariane Mendonça
O afeto preto inicia-se nos processos de autocuidado que visam, na comunidade fortalecer figuras pessoais para que o coletivo brilhe. As Ialodês são figuras que denotam força interior feminina, poder de negociação. Figuras com as quais mulheres negras periféricas se vêem diariamente, em suas lutas próprias, por si mesmas e por seu povo. Trago para a cena, o corpo negro feminino múltiplo em suas possibilidades, fluído em gênero e em suas percepções sobre suas potências e fraquezas. Para além de uma visão eurocêntrica que encaixotam homens e mulheres. Na gira, tomo a posse da voz, faço de mim, através das práticas de aquilombamento, Ialodê. Gira, Ialodê! Tempo: 5 min
2 PerF^V (PerFav)
Criação e interpretação: Pedro Avlis
A performance surge a partir do pensar a favela, suas questões, bem como os indivíduos que a contém e que estão contidos nela. Pedro, um jovem morador de uma região periférica, das inúmeras existentes no Rio de Janeiro, em seus deslocamentos entre a periferia e a universidade, enquanto bacharelando em dança, enquanto corpo preto, artístico e político dentro destes espaços, se questiona: qual é o limite da favela? A favela tem um limite ou tem limitações? Qual a limitação de um favelado? Até onde um periférico pode ir? O que se perde por estar à margem? E o que se ganha por ser dela, por ser ela e por estar nela? A favela é um lugar sem cultura ou é a própria cultura? O trabalho é resultante da junção destes atravessamentos com sua dança, que traz técnicas afro-urbanas, aprimoradas no Núcleo de Pesquisa em Dança e Cultura Afro-brasileira (NUDAFRO), dirigido pela Profª Drª Tatiana Maria Damasceno. “Per” é um prefixo que exprime a noção de “através de”. “Fav” é uma gíria, uma abreviação de “Favela”, popularmente conhecida e usada por moradores de comunidade e até por não residentes deste lugar. PERFAV / PORFAV / PARAFAV Nós por nós. Tempo: 15 min
3 Arte da Cura
Criação e interpretação: Maria Carol Leguedê
Arte da cura foi pensado a partir da memória dos ritos das benzedeiras, e do corpo fragilizado por mazelas que ganha vida nos sussurros da fé no etéreo. Os gestos compassados ervas, defumação, e o revigoramento do corpo que se ergue. O trabalho segue a linha do Corpo-documento (Beatriz Nascimento) no resgate das memorias da tradição oral da minha infância em Minas Gerais. Tempo: 7min
4 Presente Orixá
Criação e interpretação: Luiz Gustavo dos Santos (LG) Presente Orixá é um trabalho que fala do ancestral como o divino mês principalmente no presente, na atualidade. Como esse orixá se presentifica no nosso dia a dia. Tempo: 8 min
5 Banzo
Criação e interpretação: Rhaiane Silvestre Crio junto das minhas memórias que não são passados, que seguem vivas em mim, se transformando e me recriando, fazendo de mim um corpo transparente exposto ao sol, pronto pra ser afetado como um girassol. Tempo: 7 min
6 Mask.Liv®e Coletivo Muanes Dançateatro
Refletir sobre as diversas máscaras sociais que mulheres precisam assumir para sobreviver em sociedade, pela estética afro-diaspórica. Nesta apresentação, de Mask.Liv®e a cena tem um campo sensível ativado da relação mulher-máscara, máscara social-máscara física. Quais são as máscaras que cotidianamente, simbolicamente, são obrigadas a usar? Anaïs Nin: “chegou o dia em que permanecer encerrada no casulo era mais doloroso do que o risco de se libertar”.
Ficha Técnica
Idealização e Direção Artística: Denise Zenicola Assistente de Direção: Ivana D’Rosevita Bailarines /Pesquisadores: Ivana D’Rosevita, Gika Alves, Cristiane Moreira, Viviane Carvalhal, Igor Arvelos, Moises Dias Músico: Marcos Rum Figurinos: Regilan Deusamar e Gisele Alves Iluminação: Gilson Santos Produção Executiva: Roy D’Peres Direção de Produção: Zenicola Produções e Sucessivas Produções Fotografia: Renato Mangolin Video e Identidade Visual: Lucas Zenicola VJ: Plínio Realização: Coletivo Muanes Dançateatro, Zenicola Produções e Sucessivas Produções
Mask é uma realização do Coletivo Muanes, Zenicola Produções, Sucessivas Produções, Funarte, Governo Federal, Ministério do Turismo, Secretaria Especial de Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, Comissão Carioca de Promoção Cultural, Fomento – Lei do ISS, Cidade das Artes, RioTur e Faperj. Tempo: 20min
Sábado (12/11/22)
15 às 16h30 Oficina “Na boca de quem presta pombagira canta História” (Loft)
Facilitadora: Fabiana Pinel 20 vagas
A experiência corporal propõe uma investigação acerca do discurso popular na sociedade brasileira sobre a figura das pombagiras. Para além do racismo e intolerância religiosa, que atravessam os corpos dessas ancestrais, o laboratório se inclina a instigar os dançantes a pensar quais as pombagiras e narrativas femininas atravessam as suas histórias pessoais e quais os discursos que são produzidos pelo olhar estigmatizante do outro. Revisitando através de uma dança que revisita memórias, a oficina propõe um acolhimento do dançante às suas próprias histórias, para que sejam re-contadas (ou re-dançadas) por uma perspectiva mais humana, menos massacrante e machistas. “Na boca de quem presta pombagira é vagabunda”, assim canta uma cantiga nos terreiros, como seria de pombagira pudesse contar suas próprias histórias a partir da sua própria perspectiva? É essas e outras perguntas que a oficina investiga através da dança.
17h – Lançamento de livro Meu Corpo Terreiro e exposição artística (Loft) Xandy Carvalho e convidados Helena Theodoro, Tatiana Damasceno, Katya Gualter e Ruth Torralba
18h Ajeum e bate papo
19h – Espetáculo Meu Corpo Terreiro – Teatro Angel Vianna
Companhia Padê Dança Afrodiaspóricas de Terreiro. Coordenação e direção Xandy Carvalho
A Companhia PADÊ: Dança Afrodiaspóricas de Terreiro, busca por meio da pesquisa, realizar ações que evidenciem a importância das tradições do Candomblé na cultura popular brasileira, contribuindo assim para a superação do ambiente de desinformação que geram o preconceito, intolerância e o racismo religioso dirigido a este grupo social. A Companhia se propõe, a partir de práticas e teorização artísticas, destacar aspectos importantes de tais saberes. O que amplia o conhecimento para a formação corporal em Dança, produzindo um corpo capaz de vivenciar outras experiências, onde a dança de terreiro é transbordamento do corpo em sua ancestralidade africana, do qual o terreiro é herdeiro direto
Domingo (13/11/22)
14 às 15:30 Oficina Rebolativa (Loft)
Facilitadora: Jack Karen
Público: Mulheres (20 vagas) Utilizando-se da abordagem que conecta ações culturais do Funk juntamente a dança. Construir coletivamente pensamentos e atos que perpassam de “onde”, “como” e “quando” os movimentos do quadril estão associados as práticas de resistência, e a métodos terapêuticos, oferecendo assim, a manutenção da auto estima e do empoderamento feminino.
16h Vídeos e Roda de Conversa – Sala Multimídia
Coletivo Urbano, NUDAFRO e PPGDAN Aline Teixeira, Luís Silva, Katya Gualter, Xandy Carvalho, Tatiana Damasceno, e Ivy Brum (provocadora)
1. Coletiva de Dança – EP 1: Mulheres na Cena Mulheres na Cena é o primeiro episódio da série documental Coletiva de Dança, no episódio artistas do Brasil abordam o tema relativa a presença e a ausência da mulher nas danças urbanas. Curadoria e organização: Aline Teixeira e Luís Silva Produção: Aline Teixeira, Ana Beatriz, Jéssica Cristina, Luciana Monnerat, Luís Silva, Pedro Henrique, Pedro Avlis e Thaynara Silveira
2. Coletivo NUDAFRO – Ire Ire é uma palavra yorubá que significa boa sorte, bom caminho. O vídeo artístico Ire é uma criação onde arte e vida florescem a partir de diferentes espaços físicos, oníricos e corpóreos. Ire é uma criação artística que entrelaça saberes ancestrais, práticas de curas e composições de danças. (Pesquisa artística desenvolvida em 2020 e 2021 pelo Núcleo de Pesquisa em Dança e Cultura Afro-Brasileira/UFRJ) Direção artística: Luís Silva e Tatiana Damasceno Intérpretes Criadores: Elen Mesquita, Luiz Gustavo, Luís Silva, Pedro Avlis, Rhaiane Silvestre e Tatiana Damasceno Edição: Luís Silva e Rafaella Olivieri Música:Cassi Lima e Nickolas Araujo
3. PPGDAN/UFRJ – Pra-ArQ-Sença⭄ ⭄
O arquivo Pra-ArQ-Sença (prática, arquivo, presença corpo-orais e escritas) é fruto de processos e caminhos partilhados na disciplina Processos de Criação Afroreferenciados: coreografia, interpretação, encenação e ancestralidade, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Dança da UFRJ no primeiro semestre de 2022 pelo Coletivo Sankofa, constituido por professores de instituições diversas: Tatiana Damasceno, Katya Gualter, Xandy Carvalho e Agatha Oliveira da UFRJ; Lau Santos e Joice Aglae da UFBA, Raphael Arah (FAV) e Katiuscia Ribeiro (Temple University), Manoel Timbaí e Karen Pires UFPEL. Discentes: Dandara Ferreira, Gabriela Haddad, Isabela Santilli, Jéssica Barbosa, Luna Furriel, Samara Soares, Taciana Moreira, Thais Pimentel, Thayna Vieira, Tarcício Pêgo e Muryell Dantie.
Nos encontros de narrativas corpóreas, o curso propôs uma experiência crítica, provocativa e contemplativa de pensamentos e procedimentos artísticos preto-referenciados, acionados por indivíduos e/ou coletivos negros, que partilham do movimento da produção da presença do corpo negro político, social, poético e ancestral. Seguimos os passos e estudos sobre os saberes e práticas/performances da diáspora negra a partir das abordagens das artes cênicas, estudos culturais, filosofia africana, afro-brasileira e afro-ameríndia. Direção artística: Tatiana Damasceno, Katya Gualter, Xandy Carvalho Edição: Ivy Brum Imagens: participantes da disciplina
Ajeum e bate papo 17h30
Performances – Teatro Angel Vianna
Encruza-Ilhadas
Criação e interpretação alunes da disciplina Processos de Criação ministrada em 2022/1 – PPGDAN UFRJ: Taciana Moreira; Thais Lorraini; Th Vieira
Resumo: Tomando nossos corpos como suportes etno-historiograficos propomos nos por en- cruza- ilhada contando nossas histórias e cruzando-as, demonstrando como nos tocamos em diversos pontos por sermos pretos, mulheres, homens, lgbtqia+. Ao mesmo tempo, que propomos uma alternativa de sobrevivência e continuidade: o samba e a malandragem. Naízes Naízes é um espetáculo que tem em sua raiz memórias e atravessamentos de corpos que foram deixados à margem da sociedade e da vida. Em um único corpo há tantas intensidades causadas pelas trajetórias e singularidades do corpo preto, periférico e urbano. Em seu despertar dos olhos, Naízes convida a todos para entrarem em uma viagem de saberes, costumes e guerrilhas do povo preto. O espetáculo tem como objetivo abraçar e dar voz a temáticas afro diaspóricas e sobre as singularidades de um corpo artístico em meio a um contexto adverso. Em cena, encontramos artistas que articulam como ressignificar tantos atravessamentos que foram selados em nossos corpos e, a partir deles, gerar vida e possibilidades de novos caminhos, trazendo linguagens e culturas como House, Wacking, Hip Hop, Afro e outras vertentes urbanas e bases culturais que representam, entre muitas coisas, resistência e recriação. Aprendemos com essas culturas como ser coletivo para além da junção física, aprendemos como existir em uma sociedade que te faz inibir tuas naturalidades e ancestralidades. Este trabalho é um grito de corpos que foram colocados constantemente no limite e obrigados a criar ferramentas para expressar e evidenciar suas narrativas.
Serviço
Data: 11, 12 e 13 de novembro
Horário: sexta a partir das 16h, sábado a partir das 15h e domingo a partir das 14h.
Classificação: Livre
Duração: 3 dias
Informações: @NUDAFRO no Instagram e no Facebook
Parceria: UFRJ, PPGDAN/UFRJ e Coletivando Art
Programação presencial
Valor do Ingresso: GRATUITO
Público esperado: 400 pessoas
Local de inscrição: Sympla
O evento faz parte de algum programa de fomento da SMC ou utiliza a Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei do ISS Rio de Janeiro – LEI Nº 5.553/13)? Em caso afirmativo informe o nome do programa de fomento.
( ) SIM (x) NÃO
